Novos meios, antigos problemas
Dia destes estava conversando com uma amiga, marcamos de nos encontrar na faculdade onde ela estuda para falarmos de algumas oportunidades de trabalho conjunto. Papo produtivo, mentes criativas centelhando, pulando de tendências em tendências fomos desenhando algumas situações da web contemporânea. Nada essencialmente novo, falamos sobre redes sociais ligadas a ações de e-commerce , marketing social, Google e coisas mais.
Porém é uma outra linha de pensamento que motiva este post. Lembro-me bem que num determinado momento estávamos conversando sobre a experiências universitárias, diferentes estilos de ensino aplicados por professores, ferramentas e níveis de relacionamento entre professores e alunos. Comparávamos dois tipos de docentes, aqueles que não se aproximam dos alunos, mantendo uma distância imperada pela formalidade e outro, descontraído, “gente fina” que chega ao ponto de criar vínculos de amizade.
Professores transitam por uma fronteira perversa. Se tendem demais para um lado, são omissos, distantes, desconhecem os anseios de seu público. Se exageram para o outro lado, integrados, participativos, correm o risco de se envolver demais e em algumas vezes vivendo tórridos relacionamentos com seus “pupilos”. Papo divertido, fácil dizer que isso não é uma atitude correta porém concordamos que estes “pupilos” são capazes de uma criatividade sedutora muitas vezes além do imaginável.

Sem querer apontar o certo ou errado, imaginem trazer este tradicional tema de reunião de pais para a atualidade onde a Internet aproxima todos estes elementos ignorando à antiga necessidade de estarem em um mesmo local e sob um horário pré-determinado. A Associação de Educação de Ohio já pensou nisso e não gostou do que viu. Ela está recomendando fortemente que seus professores deixem de usar MySpace, Facebook e outros Orkuts da vida. A alegação é de que os riscos de um comportamento inapropriado no uso destas ferramentas transcende seus benefícios.
A entidade lançou o um processo investigativo chamado “ABC da Traição” que avalia situações como exposição excessiva de informações pessoais na rede, professores associados a comunidades duvidosas e perfis impróprios. Veja três exemplos de perfis encontrados:
- Professora de 25 anos do noroeste de Ohio diz ser “uma louca agressiva na cama”, “sexy” e “uma excepcional beijadora”
- Uma professora de 31 anos de uma escola privada expõe que no últimos mês ela se casou, ficou bêbada, fumou, usou drogas e nadou nua;
- Um professor de matemática, 35 anos, carrancudo, tem alguns de seus alunos no MySpace. Um deles deixou a seguinte mensagem: “Eu pensei em passar por aí e mostrar um pouco de amor para meu melhor professor do mundo. Estou com saudades! O colegial não presta!!! Abraços.”
Quem quiser ver a notícia completa pode clicar aqui.
Resolvi ir a campo. Fui bater um papo com um amigo que leciona em uma faculdade de prestígio aqui no Rio, ele tem em torno de 30 anos e de acordo com amigas em comum, um cara bem aparentado. Antenado com a tecnologia, tem MSN, Orkut e a Internet frequentemente participa de suas aulas.
Ele foi direto ao ponto… “Cara o assédio rola sim. Rola ao vivo, em carne e osso, como sempre rolou, mas rola muito mais pela Internet. Eu faço o meu papel, minha relação com alunos na Internet não pode ser diferente, ela é uma extensão da sala de aula. Tenho que impor limites senão o pessoal abusa.”
Não vejo a proibição como recomendação ideal para este cenário. A tecnologia está aí e as redes sociais são apenas um de seus novos produtos. Existem colégios na Inglaterra proibindo os alunos de usarem a Wikipedia como fonte bibliográfica. Quem diria?!
Ao invés de proibir as instituições deveriam promover estudos para encontrar o melhor meio de obter o máximo destas novas ferramentas, pois é óbvio que elas vieram para ficar e quem conseguir aplicá-las de forma correta potencializará seu retorno.
Quem quer começar???
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Erwin Julius - desConstruindo
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